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A REDE TEM HOJE O SEU DIA MUNDIAL

A Internet | Criámos «O Monstro»

Na data em que se comemora o dia mundial da Internet é inevitável confrontarmo-nos com a linha de tempo relativamente curta, que culminou no seu atual estádio de desenvolvimento.

Mas talvez mais importante do que revisitar os marcos históricos da sua evolução, já bastante conhecidos e mesmo não descurando a sua importância, é perceber o que realmente se criou ao fim deste cerca de meio século de desenvolvimento, e a palavra “Monstro” pode perfeitamente ser a primeira que eclode, sendo que na realidade já não restam dúvidas de que este monstro é benévolo.

O elevadíssimo grau de computação que a mantem e simultaneamente constitui o seu propósito de existência, quase que lhe confere inteligência própria, autónoma e cognitiva, sendo já completamente impossível localizar ou definir um ponto passível de provocar a sua interrupção total. A sua presença é global, supraestadual e quase, senão totalmente, insensível ao exercício de soberania.

A Internet tornou-se em poucas décadas um novo ar que os humanos respiram. Sem que exista uma tomada de consciência óbvia do processo, estamos constantemente (ou quase constantemente por agora) a realizar trocas de informação com a “Rede”.

Esta situação gera um conflito de sensações difícil de gerir tendo em conta a verdadeira noção dos benefícios que nos proporciona esta reticulação social, mas a verdade é que a complexidade da sua existência impede que o comuns dos mortais a perceba e assim sendo tenda a considerar que está a enviar demasiado de “si” para o desconhecido.

Na realidade esta rede que envolveu o mundo assume duas dimensões raras vezes encontradas na mesma entidade. Por um lado é um conjunto de elementos físicos, tangíveis, lógicos e perfeitamente racionais, por outro lado e talvez para a maioria das pessoas, apresenta uma dimensão etérea, uma área cinzenta que afronta ou desafia a compreensão humana.

Para esta bipolaridade contribui de forma decisiva o modo como os serviços baseados na Rede foram incorporados na maioria dos equipamentos e serviços eletrónicos presentes na esmagadora maioria das atividades humanas, simplificando-as, tornando-as mais eficientes, apelando à criatividade, à inovação e à não passividade do individuo face à sua envolvente social em sentido lato.

Por tudo isto é inegável que a internet está a assumir um papel determinante na sociedade humana, uma vez que exigiu uma nova conduta comportamental, novos valores, diferentes padrões de vida e acima de tudo uma nova dimensão de liberdade, a qual obrigada à assunção de um mais elevado grau de responsabilidade individual.

Durante a década de 1990 as grandes empresas tecnológicas, levaram a cabo apresentações altamente elaboradas sobre as suas novas soluções criadas tendo em conta essa “novidade” muito promissora chamada Internet, recorrendo a pessoas altamente treinadas para esse efeito às quais chamaram “Evangelistas da Internet”.

Longe de ter sido esta evangelização a causa única, a verdade é que o grau de penetração da Internet na sociedade atual é muitíssimo elevado e tudo indica que continuará a crescer. No entanto “O Monstro” será cada vez mais um aliado e cúmplice, e não é crível que os “Evangelistas” venham a dar lugar aos “Exorcistas da Internet”.

POR Luís Sousa
 




Data: 2013-05-17
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